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| Não foi para isso que escolhi o curso. William Bonner e Patrícia Poeta na bancada do Jornal Nacional Imagem do Google. |
Regozijo-me
de ser realista, mas guardo comigo alguns idealismos que jovens jornalistas e
veteranos insistem em pichar e jornais me esfregam na cara que não é bem assim.
Dizer, buscar a verdade e ser imparcial da melhor forma possível (qualquer
visão escolhida é parcial? maravilha, mas vamos tentar mostrar de um outro viés
ou deixar claro que esta é nossa posição, ser honestos um pouquinho);
esclarecer, informar, acrescentar qualquer ninharia em debates e opiniões;
registrar os fatos e colaborar em mudanças respeitando as vidas das gentes. É
assim tão difícil de fazer? Não deveria.
Do regional
para o nacional.
A primeira notícia que me chegou foi pelo WhatsApp: Que bapho a materia daquele jornal. O
site Alô Frutal, que parecia ser um contraponto ao jornalismo puxa-saquista (?)
feito em Frutal, apresentou em duas matérias parciais e cheia de erros um
sensacionalismo vergonhoso. Não dá raiva, dá vergonha. Usei as palavras-chave UEMG e greve para pesquisar no site e os únicos resultados foram as
recentes matérias. Universitários chegam a promover churrascos nas dependênciasda UEMG! U-a-u! Das coisas absurdas que se pode fazer no interior da
universidade, o promover churrascos é o mais extravagante que podem pensar. Com
ponto de exclamação e tudo!
Não houve uma
explicação anterior sobre o que é a greve e as informações existentes estão
incompletas, falam em consumo de bebida alcoólica e ignoram que a greve é dos
professores & dos alunos - o que justificaria a ocupação - que inclusive
colocam entre aspas deslegitimando o movimento sem uma menção sequer às ações
realizadas no #OcupaUEMG. Priorizam as reclamações e preocupações no grupo da universidade,
BIXOS UEMG, expressas pelos estudantes prejudicados pela greve em detrimento
das postagens que mostram as conquistas do movimento no mesmo grupo. E usam fotos alheias para ilustrar sem crédito ou data.
E não assinam o texto. Ai, ai, ai.
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| E não é esse o jornalismo que quero fazer. Ace in the hole (1951) |
O Centro
Acadêmico de Direito (CAD) e o Movimento Estudantil Unificado - UEMG postaram notas de
esclarecimento/repúdio às matérias. O CAD apontou os artigos da Constituição
violados pelo site enquanto o Movimento Estudantil esclareceu quando ocorreu o
churrasco (precisava?) e apontou a única prova de consumo de bebida alcoolica
como caso isolado do início da ocupação – nas artes e chamadas para os saraus
frisavam que não era permitido o consumo de bebida alcoolica – custa pesquisar,
Alô Frutal?
Ninguém fez a
devida cobertura da ocupação. Noticiaram quando começou e ficou por isso mesmo.
A proximidade é um dos critérios de noticiabilidade, mas ninguém se preocupa
com isso quando há uma greve numa universidade pública na sua cidade
acontecendo. Ela é distante do centro, ela fica no alto do morro, mas devia
interessar à cidade. Não devia? Quem sabe da sua existência, quem sabe que há
uma greve acontecendo pergunta “e a greve?” porque não tem quem os informe. Hoje em dia todo mundo tem acesso à
internet, mas, mas o ponto forte aqui ainda é o radiojornalismo. E teve
rádio batendo ponto na universidade? Então..., pois é... Outros portais
noticiaram tanto quanto aqui. Está
havendo e fim. E quando um sujeito resolve olhar para o que está se
passando é para informar errado, parcialmente, sem apuração, tendenciosamente.
Sobre o caso nacional.
O caso de maior repercussão no país nessa última semana, fora a divulgação de conversas entre figurões gravadas em março sobre a Lava-Jato, o poder e medos, é mais sério e me enche de dúvidas: a menina de 16 anos que foi
estuprada por 33 homens no Rio de Janeiro. Gravaram um vídeo da violência onde
aparece tanto a menina desacordada e ensanguentada quanto os homens ao redor
dela. Foi o mais visto no país na semana, disseram. Alguns portais trataram com
cautela a notícia. O G1, por exemplo, Polícia
no Rio apura suposto estupro coletivo e identifica autores. Uma acusação
como estupro é muito grave.
Na faculdade, a gente aprende com o caso Escola Base o que uma notícia falsa pode causar. Comentários como ‘prefiro defender
a vítima e descobrir que era mentira do que defender um estuprador’ só podem
ser ditos mesmo por quem não tem compromisso com a verdade (isso não é o lema
de uma emissora?). No entanto, neste caso, há o vídeo como prova. Além de parecer ser praxe culpar a mulher. Entende o ponto? Como tentar manter a imparcialidade quando se sabe que haverá mesmo uma minimização do ocorrido, uma culpabilização da vítima? E está acontecendo. Perguntaram à menina se ela costuma fazer sexo em grupo (!!!). Há quem até ache suspeito
isso ocorrer na atual situação política, como se pudesse servir de distração. Um
estupro. De uma menina de 16 anos. Com mais de 30 homens envolvidos.
Não quero jornalismo para isso. Não quero um jornalismo que deturpe a realidade, não quero um jornalismo que desumanize a vítima, que condene gentes. É horroroso ter que ouvir de um veterano que "em 90% dos casos vendemos nossos princípios, nossa ética e nossa função social por um salário patético" e saber que é a verdade. Vamos ter que trabalhar as opções.

