quarta-feira, 18 de maio de 2016

Greve geral da UEMG/Frutal completa 2 semanas com videoconferência com reitor

Arte da divulgação da greve [1] [2] [3].

Desde às 19h, aproximadamente, do dia 2 de maio a UEMG/Frutal não é mais a mesma. O tumulto e a balbúrdia do início resultaram em uma onda de ativismo ainda não vista no sertão da farinha podre. A ocupação tornou as barracas e as faixas parte da paisagem antes composta apenas por bancos azuis e vácuo.

Fruto da união das pautas de professores e alunos, as atividades da ocupação contavam com ao menos dois responsáveis pela arte e a divulgação ocorria principalmente no grupo BIXOS UEMG e  nas páginas Movimento Estudantil e Tá no Tuim. Cartazes pedindo que se utilizem as hashtags #OcupaUEMG e #ApareceDijon ainda podem ser vistos pela universidade. A cobrança pela presença do reitor, ausente desde a campanha eleitoral para reitor e sua intitulação como cidadão honorário da cidade em 2014, para que se discuta face to face os problemas da unidade é muito lembrado e, num primeiro momento, pareceu ser o estopim para a ocupação.

O passo a passo do #OcupaUEMG pode ser resumido assim:  

2/5 -  Assembleia: início da greve/ocupação
3/5 - Conversa com advogados
3/5 - Assembleia de deliberação da greve 19h
4/5 - Piquenique 16h
4/5 - Plenária da Greve: representantes de Ibirité 19h30
5/5 - Palestra Mercado, mídia e crise e de representação com o professor Doutor Fernando Melo da Silva. 15h30
5/5 - Sarau 20h
6/5 - Yoga 9h
6/5 - Jogo: Imagem e ação da ocupação 15h
7/5 - Tarde esportiva: futsal, vôlei, queimada, peteca
8/5 - A Mulher no Movimento Estudantil da UEMG 17h
8/5 - Hipnose Kened França
9/5 - Mesa Redonda: Desastre de Mariana 19h30
11/5 - Assembleia 19h
13/5 - Plantio de árvores
13/5 - Gravação de vídeo
13/5 - Karaokê com just dance
14/5 - Sarau II 21h
16/5 - Videoconferência entre discentes e docentes de Frutal e Ibirité
17/5 - Videoconferência com o reitor 14h30

Na videoconferência ocorrida ontem iniciada às 14h30 e estendida pela tarde à fora, o que ficou nítido para os olhos de fora foi: sem contar os erros crassos, os problemas são grandes, a reitoria não consegue resolver tudo e não há diálogo. Não que não possa haver, não que não haverá. Não. Falta diálogo entre as partes. Há tempos. A instituição é grande e recheada de departamentos e setores (burocracia!) e, deus do céu, 17 unidades! Não há uma boa comunicação na unidade e entre as unidades. Apenas uma pessoa do administrativo, além do diretor e do vice, apareceu à videoconferência para esclarecer os trâmites e exigências para requerimentos (burocracia!). A questão dos livros e da biblioteca foi discutida sem ter um representante sequer para ponderar sobre a real situação - uma funcionária perguntada sobre disse que só queria receber seu salariozinho, que apesar de pouco é o que tinha.

(Os servidores não entram em greve.)

Há quem aponte como sendo o concurso a solução de tudo, mas um diálogo já parece o suficiente. Faltam livros específicos, mas há vários encaixotados por falta espaço e sobram livros de Psicologia, um curso que sequer existe na unidade. E a biblioteca nova? Transferirão pro prédio do Memorial do HidroEX. Não recebemos nada para fazer licitação. Realmente, não foi enviado ainda porque... Seu diretor deveria mesmo mostrar o conteúdo do e-mail [...] responde a várias dessas perguntas. A senhora recebeu o e-mail de x de abril? Mandou para mim? Não sei se foi... 

Já os alunos sem aulas, estes vivem na incerteza de boatos. Disseram que a greve vai durar 100 dias! Eu quero ter férias em julho! Se durar mais uma semana, disseram que vamos ter aula em dezembro! Disseram que a maioria dos professores já está contra a greve. Olha, acho que ninguém sabe precisar quantos são os grevistas. E há professores furando a greve desde o começo e alunos furando a greve desde o começo e não levantando o dedinho se perguntados se querem que a greve prossiga, mas o reitor pergunta assim mesmo: essas perguntas aí pelos Centros Acadêmicos foram elaboradas com participação dos outros estudantes, né? Diálogo, crianças, tem que ter diálogo.