sábado, 4 de junho de 2016

Formas de se escrever uma história

A sinopse diz:
'Formas de voltar para casa' narra as memórias - ouvidas e vivenciadas - de um homem cuja infância se passou durante a ditadura de Augusto Pinochet, no Chile. A narrativa se desdobra em dois momentos - o passado - começo dos anos 80 -, que o protagonista tenta recuperar para, então, finalizar um livro que ele está escrevendo no presente. Na busca por entender acontecimentos nebulosos, ele percorre um melancólico e dolorido caminho de volta na tentativa de escrever a própria história.
Mas se você também não costuma ler sinopses, o livro começa com Personagens secundários e um menino narrando um dia de terremoto e como conheceu uma garota mais velha e ficou encantado por ela. Nada especial, mas os capítulos curtos fazem a leitura mais rápida e temos a impressão de que a história segue assim também quando:  era uma história do novo livro que o homem está escrevendo. E que ele afirma para a irmã que não a citava para protegê-la, que era ficção. E quer que a ex-esposa, com quem está tentando reatar, leia, dê palpites, opine. A sinopse é delimita e esclarece mais que todo o livro. Sabemos que há um entrecruzar da ficção com a realidade, sabemos -ele cita- a ditadura do Pinochet, mas que são memórias, assim, me-mó-ri-as, um livro de memórias, não fica claro, não.

A partir do momento que vamos entendendo quem é Claudia e deduzindo ninharias do enredo, a única certeza que fica mesmo é que ditadura é ruim igual em todo lugar. Não sei vocês, mas o que sei do Pinochet se resume a dois filmes (The house of spirits (1993) e No (2012)) e a célebre frase que o professor de Redação Publicitária adotava para definir seu modo de ensinar: "De Piaget a Pinochet". Drástico, não? No entanto, perseguição política, ativismo político, gente lutando, gente morrendo, gente se mantendo neutro, gente lamentando quem se mantém neutro ou alheio ao que se passa tem em todo governo ditatorial. Não houve a mesma coisa por aqui? O que deve diferir mesmo é a quantidade e a brutalidade. Lamentável em qualquer parte.

De resto, não é uma escrita que me toque. Não me tocou. Não houve decepção, não sei o que esperava ao iniciar a leitura, mas de qualquer forma não deixou nada comigo. Soou fria, sem surpresas ou encantos.Acompanhei a história do menino, a do escritor, seus problemas, fui simpática à história de Claudia, à de quem luta e de quem se omite, mas aquela qualquer coisinha que incomoda, que perturba, que toca... não houve. Talvez porque seja minha primeira experiência com o Zambra. Talvez. Foi o 3º livro dele por aqui. Haverá outras oportunidades, outras formas de tecer empatia, escrever uma história.