Sempre somos cobrados para
escolher um lado. É natural. É mais fácil discutir com quem já tem argumentos
para rebater. Há algumas semanas nos foi pedido um artigo de opinião sobre o
impeachment. Desconversei, dei dois mortais para trás, uma sambadinha e
entreguei qualquer coisa parecida com uma croniqueta.
Eu não queria impeachment, mas as coisas do modo como estavam sendo levadas
também não me apeteciam.
Acabou que o impedimento passou
pela Câmara, passou pelo Senado e estamos agora com dois “presidentes”, uma
afastada e outro em exercício, vários ministérios a menos e algum pé atrás.
E a greve continua por aqui.
Às vésperas de completar 2
semanas da assembleia que declarou a greve, a UEMG já teve inúmeras atividades culturais, outras reuniões, as
escadas foram ocupadas, foram desocupadas, foram esquecidas algumas mesas por
lá, algumas faixas ainda barram passagens e o mais recente: as portas do térreo
que dão acesso à lanchonete e ligam os blocos têm estado trancadas sem motivo
específico. Para acessar a lanchonete só
contornando o bloco A e para acessar o bloco B, só entrando pelo hall e
atravessando toda a UEMG. As rampas têm estado escuras, aliás. Tá tendo greve,
tá tendo economia de energia, sim.
As barracas distribuídas há dias
pelo hall de entrada e corredor variam em número. Já foram 15, já foram 18,
nessa última sexta-feira contava-se otimistamente 13. Os grevistas e seus
apoiadores e quem-é-contrário-à-greve (não parece certo falar em opositor aqui)
podem até oscilar em número, mas há uma categoria específica que parece
permanente: os muristas.
Em artigos de opinião, nos é
exigido um posicionamento, não é permitido se agarrar ao muro de “ai, meu deus,
os dois têm razão” mesmo que seja verdade. Às vezes os dois lados têm
argumentos bons o suficiente para criar muros de indecisos. Acontece. Com
bastante frequência. E não pode. Que sacanagem não poder!