sábado, 16 de abril de 2016

Mandando a real

Desde que decidi em janeiro que criaria uma regra para este blog – 1 texto/post por semana – vim alternando à minha maneira, os temas. A maioria recaiu sobre a UEMG porque estou lá todos os dias, por isso mesmo mais fácil de obter informações, me interessa e interessa às pessoas. Recentemente, no entanto, de um mês pra cá 3/5 [1] [2] [3] posts citavam a presidenta Dilma. Não à toa: com a proximidade das votações que julgariam seu futuro na cadeira presidencial, seria impossível não citá-la ou não tocar no assunto. Toquei e toquei três vezes. De leve, como quem não quer nada, à mineira que é o que realmente sou. Mas então a ansiedade foi se misturando ao medo do que pode acontecer nesse domingo, que só se agravou com a intimação para escrever um artigo de opinião ao qual fugi com uma quase crônica, e vim parar aqui.

Torço tristemente pela Dilma e talvez isso já signifique tudo. Parece horrorosa a ideia de vê-la tirada de lá assim, “impichada”, parece ainda mais horroroso ver quem irá substituí-la e foi mesmo revoltante o modo como a mídia vem atacando a imagem dela desde o primeiro governo. Dona daquele espírito de ficar do lado dos mais fracos (ou dos atacados), impossível não se posicionar a favor dela, mas aí, ai!, mas aí se passa a lembrar dos erros, deslizes, tropeções do governo dela durante esses 6 anos e que não têm perspectivas de melhora alguma daqui para frente, mesmo ela tendo dito o contrário nessa semana. Não acho que tenha jogo de cintura o suficiente para lidar com a oposição sem ceder mais do que deve, mas como incomoda a fala dela poder ser "carta fora do baralho"!

É golpe ou não é? Tínhamos que responder no artigo. Respondi o que todos respondem: impeachment mesmo, mesmo não é golpe e diante da possibilidade de repetir tudo o que já foi argumentado, fugi ao formato - há quem fuja ao tema, eu fujo ao formato. Tanto a oposição quando os governistas vêm batendo nas mesmas teclas alucinadamente. Quando não lembram das pedaladas fiscais, lembram das promessas, de Pasadena, dos jogos políticos, do Lula e são rebatidos com todos fazem, foi preciso, nada provado, o nome de Dilma não consta em nenhum escândalo, complô da mídia, do judiciário e da oposição. Bom, ela mesma repete estes argumentos fora o fato de ter sido presa e torturada ad infinitum

Se quero novos argumentos que me convençam de vez, não é nesse momento histórico que vou conseguir aparentemente. Parece delicado comparar o agora com as vésperas do golpe de 64 e talvez esteja mesmo certo quem disse que só vamos conseguir compreender isso daqui alguns anos como aconteceu com o período da ditadura militar. Em todo caso, o clima é de tensão. Há quem trate com otimismo, com luta, pró-governo e há quem trate com otimismo, alegria, contra o governo. No meio do caminho havia uma Jaqueline com medo do que virá. Se viveram receio parecido há mais de 50 anos, sinto por eles.