Desde o
início das aulas temos tido problemas com a estrada de acesso à UEMG. Há dois
meses* a estrada antes de terra começou a ser asfaltada e com isso criaram uma
estrada paralela para se chegar à universidade. De uns dias pra cá, ela parece
pronta, ainda que mantenha a divisória, mas poucos são os que ousam se
aventurar. A estrada paralela, cheia de buracos, curvas e lama, parece mais
confiável que a nova e é a escolhida pelos mineiros cautelosos e já
conhecedores de onde o carro resvala no chão.
(A
possibilidade dos mineiros serem pessoas radicais que gostam de rally não pode
ser descartada, contudo. Nunca se sabe o que se passa na cabeça de povo movido
a pão de queijo e café.)
Na
segunda-feira, 6, houve a que chamam III Assembleia Unificada, mas há dúvidas
de que tenha sido a terceira mesmo e a única união vista foi a dos
pró-grevistas presentes – desde o início da reunião eles parecem ter
representado a maioria. Havia, claro, uma parcela relevante dos contrários à
greve presente, no entanto, em muito inferior ao número que, fora dali, expressa
seu ressentimento quanto à ocupação e à falta de aulas.
Uma reunião
de docentes à tarde deu o tom da assembleia noturna: independente do resultado,
a greve dos professores continua. Divulgada essa decisão, muitos trataram com
indiferença a necessidade da presença de nova assembleia, “não vai adiantar de
nada mesmo”.
A assembleia
começou com atraso. À hora marcada, das mais de 300 cadeiras que compõem o
anfiteatro, apenas 80 estavam ocupadas. O atraso tornou impensável
posteriormente a sugestão de uma aluna de alongar para 5 minutos o tempo dado aos
alunos inscritos para expressarem sua opinião – alunos e um professor dos menos de dez
presentes*.
A explicação
da professora Eliana Panarelli sobre a reunião ocorrida, a atual situação dos
profissionais e a necessidade de continuidade iniciou os trabalhos. A mesa,
composta por 5 membros, ocupou a maior parte do tempo com explanações e
repasses de informação. Apresentaram um vídeo institucional sobre a greve, um
vídeo da presidente do Diretório Acadêmico e abraços a dois servidores públicos
que estreitaram laços com os alunos nesse mês de ocupação.
A ideia de
que seria muito pouco estratégico terminar a greve antes da reunião que
ocorrerá na quinta-feira, 9, e que pode decidir a situação dos professores foi
amplamente adotada. Até mesmo os que desejam o fim da greve, se renderam a esse
argumento, “mais uma semana, que diferença vai fazer?”. As horas seguintes se
passaram em rusgas, pazes e repetição de argumentos: quero ter aulas vs todo
mundo quer ter aula, mas.
A UEMG nunca
enfrentou tamanha greve, na verdade, greve de tamanho nenhum. A greve é a
estrada nova, que está sendo asfaltada e que alguns estão cruzando entusiasmados
com camisetas combinando enquanto outros temem o que virá pela frente e preferem
a velha lamacenta, certa, e cheia de buracos.
Uma nova
assembleia foi aprovada por aclamação para o dia 15 de junho.