terça-feira, 7 de junho de 2016

La strada - e não tem nada a ver com o filme do Fellini

Desde o início das aulas temos tido problemas com a estrada de acesso à UEMG. Há dois meses* a estrada antes de terra começou a ser asfaltada e com isso criaram uma estrada paralela para se chegar à universidade. De uns dias pra cá, ela parece pronta, ainda que mantenha a divisória, mas poucos são os que ousam se aventurar. A estrada paralela, cheia de buracos, curvas e lama, parece mais confiável que a nova e é a escolhida pelos mineiros cautelosos e já conhecedores de onde o carro resvala no chão.

(A possibilidade dos mineiros serem pessoas radicais que gostam de rally não pode ser descartada, contudo. Nunca se sabe o que se passa na cabeça de povo movido a pão de queijo e café.)

Na segunda-feira, 6, houve a que chamam III Assembleia Unificada, mas há dúvidas de que tenha sido a terceira mesmo e a única união vista foi a dos pró-grevistas presentes – desde o início da reunião eles parecem ter representado a maioria. Havia, claro, uma parcela relevante dos contrários à greve presente, no entanto, em muito inferior ao número que, fora dali, expressa seu ressentimento quanto à ocupação e à falta de aulas.

Uma reunião de docentes à tarde deu o tom da assembleia noturna: independente do resultado, a greve dos professores continua. Divulgada essa decisão, muitos trataram com indiferença a necessidade da presença de nova assembleia, “não vai adiantar de nada mesmo”.

A assembleia começou com atraso. À hora marcada, das mais de 300 cadeiras que compõem o anfiteatro, apenas 80 estavam ocupadas. O atraso tornou impensável posteriormente a sugestão de uma aluna de alongar para 5 minutos o tempo dado aos alunos inscritos para expressarem sua opinião – alunos e um professor dos menos de dez presentes*.

A explicação da professora Eliana Panarelli sobre a reunião ocorrida, a atual situação dos profissionais e a necessidade de continuidade iniciou os trabalhos. A mesa, composta por 5 membros, ocupou a maior parte do tempo com explanações e repasses de informação. Apresentaram um vídeo institucional sobre a greve, um vídeo da presidente do Diretório Acadêmico e abraços a dois servidores públicos que estreitaram laços com os alunos nesse mês de ocupação.

A ideia de que seria muito pouco estratégico terminar a greve antes da reunião que ocorrerá na quinta-feira, 9, e que pode decidir a situação dos professores foi amplamente adotada. Até mesmo os que desejam o fim da greve, se renderam a esse argumento, “mais uma semana, que diferença vai fazer?”. As horas seguintes se passaram em rusgas, pazes e repetição de argumentos: quero ter aulas vs todo mundo quer ter aula, mas.

A UEMG nunca enfrentou tamanha greve, na verdade, greve de tamanho nenhum. A greve é a estrada nova, que está sendo asfaltada e que alguns estão cruzando entusiasmados com camisetas combinando enquanto outros temem o que virá pela frente e preferem a velha lamacenta, certa, e cheia de buracos.

Uma nova assembleia foi aprovada por aclamação para o dia 15 de junho.