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| Imagem de divulgação do evento no Facebook |
Do que vem antes do começo:
Eu não sabia, mas quem quer que repare no Portal Intercom acaba encontrando na aba A Intercom , dã, do que se trata. Quando nos perguntam, e como perguntaram!, o que é o evento dizemos simplesmente: ah, é um congresso de Comunicação. Se estamos prolixos, emendamos: cada região organiza o seu e os melhores trabalhos apresentam no congresso nacional. Se nos pegaram numa hora realmente boa, acrescentamos: esse ano o congresso nacional será em São Paulo :). Não é só um congresso, é uma instituição de quase 40 anos - a Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares em Comunicação. Você descobre o que é e, de cara, sana a dúvida quanto a concordância: se diz A Intercom ou O Intercom? Depende. Ao que parece, se estou falando do congresso da Intercom, digo o Intercom, já se eu estiver falando da instituição...O começo:
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| Imagem de divulgação no site (ainda que não conste a região, esse é o prédio da CEUNSP, logo Intercom Sudeste) |
Fomos. A bailarina-secretária-jornalista Monielly Barbosa e eu. Fazendo escalas pelas cidades, matando tempo em rodoviárias até chegar ao destino. Para onde vocês vão? Para Salto. Que Salto? Porque há isso também. Há vários Salto. Fora as piadinhas com sapato de salto, chinelo, tênis, numa busca rápida no Google, encontro facilmente nada menos que 8 cidades com esse nome: Salto da Divisa (Minas Gerais), Salto de Itu (São Paulo), Salto Grande (São Paulo), Salto do céu (Mato Grosso), Salto Veloso (Santa Catarina), Salto (Uruguai) e Salto del Guaíra (Paraguai). Desconhecendo todas essas cidades (Nina diz que adora viajar, mas mal saiu do seu estado, a pobre) e já tendo lido o mapa, a resposta incerta é: Salto de Itu, que não é de Itu, mas como fica coladinho, deve ser esse mesmo. E é.
Salto - SP:
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| A bailarina-secretária-jornalista-fotógrafa-mor Monielly, eu e a Ponte Estaiada/Mirante ao fundo. |
Salto de Itu, que-não-é-de-Itu, é uma estância turística. Completava 318 anos quando chegamos brindados com a inauguração da Ponte Estaiada (o mirante) e a reforma da praça Archimedes Lammoglia.
Cidade desconhecida, dinheiro pouco (olha a crise! É mentir... ops), precisamos de um hotel próximo e relativamente barato. Achamos o Hotel Rio Branco na mesma rua (pros meus critérios, qualquer coisa na mesma rua é perto, seja um, dois ou cinco quadras como é o caso), rachamos as despesas e fizemos a reserva (50% antecipados, 50% depois. Você paga primeiro e eu depois? Ok. Ok).
A diária só começava ao meio-dia, mas, como chegamos cedo, permitiram que deixássemos as malas no hotel. Havia credenciamento por fazer e palestra logo cedo. No entanto, achamos o Tietê no meio do caminho. Nos dirigíamos ao prédio do CEUNSP, onde seria sediado o Intercom, quando ouvimos o barulho inconfundível da correnteza do rio. Somos mineiras, estamos acostumadas a rios grandes (ba dun tss), mas o Tietê naquele ponto dava a certeza de que qualquer coisa viva que caísse ali dentro desapareceria. Até a palavra. Gritasse RIO TIET- e antes que se completasse o grito já teria sumido. E era tão próximo, tão impressionante que acabamos visitando aquele ponto muitas vezes, mais de uma vez ao dia. Para fotos e para embasbacamentos. Da minha parte, principalmente.
O Intercom:
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| Uma parte do prédio da CEUNSP |
De costas para o rio, o prédio da CEUNSP é monstruoso... e misterioso. Acabamos por não descobrir o que era antes. Colégio de padres? Parece. Enorme. Com ladeira de paralelepípedo ou coisa parecida. Com janelões azuis enormes. Com tijolos a vista. Com canos vermelhos que me lembravam estações de trem inglesas - não faz sentido. E gatos (na UEMG, temos cães). E banca de livros usados e banca de livros da Unesp. E lanchonete. Tudo junto numa área coberta enorme com mesas e cadeiras de plástico vermelho.
Os blocos têm, pelo menos, dois andares. Sem elevador. As escadas parecem maiores, os lustres são redondos e as salas são realmente muito grandes. E geladas. Não duvido que num dia mais frio tenha nevado nas salas do bloco C.
Tanto a oficina em que inscrevi (sobre Jornalismo Literário. Uma única oficina para três dias de evento. Um absurdo!) quanto as palestras assistidas (sobre a importância de João Batista de Andrade no documentário e Ilustração Publicitária) aconteceram todas nesse bloco. As não assistidas também - não porque não fui, mas porque a palestrante não pôde comparecer.
Andança:
Três dias de evento, mas só dois com atividades. Distância muita, cansaço também. Viajar à noite é chato e perigoso e um bailarino fantástico vai estar em Fronteira na tarde de domingo! Vamos embora no domingo! Mas antes...
| Vista panorâmica da praça Archimedes Lammoglia, centro de Salto |
O primeiro dia se passou todo no vai-e-vem da rua José Galvão. De hotel até CEUNSP e arredores, de arredores de CEUNSP até hotel. Não que fosse pouco. A cidade é pequena e tudo o de relevante tanto do ponto de vista funcional quanto turístico se amontoa ali no centro: padaria, restaurante, pizzaria, farmácia, supermercado, as praças, o museu, a igreja... A ponte estaiada.
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| Mapa turístico da cidade de Salto |
Ainda não consta no mapa turístico, mas a ponte estaiada/mirante já é um dos pontos turísticos mais visitados da cidade, um dos primeiros pontos turísticos que visitamos, mas antes veio o museu.
Cobiço museus desde antes de me interessar por História com H maiúsculo e já cobiçava esse museu antes de entrar, antes de saber o que tinha, antes mesmo de escolher hotel. O hotel fica próximo do museu. Ma-ra-vi-lha!
Mais até do que bem organizado, o museu saltense é recheadinho de história. Bom, são 318 anos, não é? Não há um lugar certo por onde começar a visita e bate um desespero tentar ler e ver tudo - ainda que eu tenha a impressão que a ordem é cronológica e horária. À direita, há salas e mais salas. Além de textos diretamente na parede, contei dois computadores. Imagino que como todo museu moderno, inseriram o digital para deixar mais atrativo ao público e permitir algum tipo de interação, os objetos, no entanto, seguem sendo o centro das atenções: máquina de tecelagem, cofre, caixa registradora, carteiras escolares, piano e uma disputadíssima banheira:
Algumas quadras de casas antigas depois e você só não vê o mirante se fechar os olhos. Escolhemos o caminho mais longo por absolutamente nenhum motivo específico. Cruzamos a ponte para, logo depois, caminhar muitos metros de volta até o prédio de paredes espelhadas. Da ponte, podemos ver Nossa Senhora de Monte Serrat. Diferente do mapa acima, a estátua fica bem mais distante. Ao contornarmos o mirante, achamos a porta e uma fila. Havia uma fila! E conforme fomos esperando mais pessoas foram se juntando, todas ansiosas para ver sua casa de cima. A moça graduada em Turismo que cuidava da subida dos visitantes esclareceu sobre o aviso que proibia expressamente a subida pelas escadas. Só pelo elevador. E se a pessoa for claustrofóbica? perguntei. Não sobe. Para outra pessoa, explicou melhor: haviam tido problema com crianças. Segundo ela, o mirante demorou de 3, 4 anos para ser construído e há o projeto de teleférico ainda para ser viabilizado. Diferente de um taxista que empolgado diz que já está 90% concluído, a monitora de turismo diz que só na gestão de outro prefeito como se fosse algo distante a se perder de vista.
Curiosidade sobre a estátua de Nossa Senhora de Monte Serrat. Crédito: Monielly Barbosa
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| Monielly e 'migo dino' |
Peirópolis com fósseis expostos para vermos, uma apresentação da área onde foram encontrados, essas coisas. Sem guia, sem fósseis, sem informação.
A volta foi mais demorada. As voltas. Quando voltamos para casa no domingo, a 1h entre Salto e Campinas pareceu grande e as 5h (é isso?) entre Campinas e Rio Preto pareciam não ter mais fim. É lei? Toda volta demora mais? É para irmos nos desligando, abandonando devagarinho? Não sei se funciona, não, hein.
Sobre a cidade:
O tamanho diminuto da cidade vem desde sua fundação. Era uma fazendola quando nasceu, um sítio, pertencente ao sobrinho do bandeirante Raposo Tavares no município de Itu. Por conveniência, Antônio Vieira Tavares pediu permissão ao bispo para que se construísse uma igreja em suas terras. Com a doação das terras em testamento em 1700, Salto passou a ter como data de fundação a da benção e da primeira celebração de missa na Igreja de Nossa Senhora de Monte Serrat em 16 de junho de 1698.
A praça da igreja leva o nome de seu fundador. Em mais de um lugar, há referências aos que construíram a cidade. Na dita praça, o marco zero tem as estátuas de um trabalhador, um padre, um bandeirante, uma mulher em pé e outra ajoelhada, mas a placa não parece se referir às estátuas - é um agradecimento ao Antônio Vieira Tavares. Seria ele o bandeirante? Não faço ideia.
Em azulejo, atrás do CEUNSP, estão pintados, dessa vez mais nitidamente, os homens que construíram a cidade. Os homens. Sem mulheres dessa vez.
A praça da igreja leva o nome de seu fundador. Em mais de um lugar, há referências aos que construíram a cidade. Na dita praça, o marco zero tem as estátuas de um trabalhador, um padre, um bandeirante, uma mulher em pé e outra ajoelhada, mas a placa não parece se referir às estátuas - é um agradecimento ao Antônio Vieira Tavares. Seria ele o bandeirante? Não faço ideia.
Em azulejo, atrás do CEUNSP, estão pintados, dessa vez mais nitidamente, os homens que construíram a cidade. Os homens. Sem mulheres dessa vez.
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| Os homens que construíram a cidade, eu e mais janelas azuis |
Uma semana após a visita e recuperada do cansaço da viagem, ainda não superei o fato de Salto, uma cidade turística, não ter tirolesa. Na minha cabeça, fazia todo sentido Salto → saltar → tirolesa. Não tem. Se tem, não vi. E se tem e não vi, ficarei profundamente ressentida com Salto (optando sempre pelo chinelo).












