sexta-feira, 26 de fevereiro de 2016

Terminam hoje as rematrículas na unidade UEMG-Frutal

Iniciado na segunda-feira, 22, o período de rematrícula chega ao fim nessa sexta-feira na unidade UEMG/ Frutal. 

Inusitadamente, os alunos da VIII turma de Comunicação Social foram os únicos a reclamarem de dificuldade em se rematricular. Ao clicarem em Solicitação de matrícula, a mensagem “Não existe turma sucessora para a enturmação anterior.” era exibida em vermelho numa faixa amarela (veja imagem).

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Mesmo após contatarem a secretaria, os estudantes só tiveram o problema resolvido na manhã do dia seguinte, 23, entre 11h e 11h30. Não informaram qual teria sido a causa do problema. 

Lembrando que, nesta rematrícula para o 5º período, os estudantes desse curso escolhem qual habilitação seguir, se Jornalismo ou Publicidade e Propaganda. Esta é a penúltima turma a precisar fazer esta escolha devido à independência do curso de Jornalismo.

sábado, 20 de fevereiro de 2016

A UEMG que te espera

Na próxima segunda-feira, 22, começam as rematrículas na Universidade do Estado de Minas Gerais na unidade Frutal. Online, como toda rematrícula – a menos, é claro, que o aluno esteja devendo alguma matéria. Nesse caso, é preciso comparecer à secretaria da unidade. A matrícula para os candidatos via vestibular aconteceram há semanas e as listas do SiSU ainda estão sendo divulgadas.

E estando tão próximos do (re)início, quando já podemos distinguir a universidade no horizonte acenando com seu prédio branco, nos chega a notícia via Alô Frutal de que as obras retomariam. As tão prometidas, esperadas, ansiadas obras serão retomadas, uau! A resposta à notícia que melhor ilustra o ânimo dos estudantes foi postada num grupo do Facebook pela aluna Jéssica Fernandes do 3º ano de Comunicação/ Publicidade e Propaganda: Já tem previsão para parar de novo?.

O prédio da UEMG tem dois blocos (A e B - brancos, o segundo tem uma parede grafitada) ligados por uma passarela descoberta. Cada um com dois pisos, duas escadas, duas rampas (que serviriam de acesso a cadeirantes se não tivessem um grau de inclinação que me fizesse saltitar ao descer). Temos uma Atlética, a Besouteria, o GUT (grupo de teatro), a Frente Feminista, a lanchonete (que não é nossa, mas é opção), duas bibliotecas (uma é só para a turma do Direito e ninguém fala nela), banheiros (quatro em cada bloco, no mínimo), o anfiteatro, os Centros Acadêmicos (alguns cursos ainda estão criando os seus e outros precisam se firmar), o Diretório Acadêmico, o Xérox da dona Maria, laboratórios com computadores com acesso à internet, salas de aula com dois ventiladores, lousa digital e computador, salas com cadeiras coloridas no último andar, sala de videoconferência que só é aberta uma vez na vida, salas, muitas salas & obras.

As obras estão lá desde antes da nossa entrada no curso em 2014. Convivemos com elas e com a esperança de ver, ao menos, a biblioteca pronta desde sempre. A quantidade de livros embalados à espera de estantes, segundo nos contavam, era de fazer babar bibliófilos e estudantes contadores de moedas cujo preço do xérox assusta.  Entraremos 2015 com biblioteca nova? O que tivemos foi notícia de desabamento(s) de parte das obras em janeiro. Culparam a troca de governo pela pausa nas obras, um período difícil de transição. Como se não fosse o bastante, até abril, ficamos às voltas com outro processo de transição: o de diretor.  Não faltaram discussões, promessas, dúvidas e acusações. Ainda não faltam, principalmente estas últimas. No segundo semestre, alunos protestaram na obra inacabada da biblioteca. Utilidade mesmo só teve na locação do trabalho/websérie Renegados dos alunos de Publicidade do 1º ano.

Nessa dobradinha de transições, o curso de Comunicação, principalmente, foi sendo desfalcado de alguns de seus principais nomes, alguns de seus “pilares”. Sem concurso, com designação, novas caras aparecerão para agir na reestruturação do curso. O desligamento do Jornalismo impondo grades novas só faz acrescentar às mudanças. E agora promessas. Serão retomadas as obras da UEMG. Esperamos que sim, desejamos que sim. Biblioteca, laboratórios, complexo esportivo e etc, serão muito bem-vindos e necessários, mas o que nos faz falta mesmo e esperamos é que as engrenagens no núcleo da UEMG também funcionem com primazia. A necessidade do concurso, com ameaça de descredenciamento ou sem, é óbvia. Uma garantia de estabilidade para os profissionais e para os estudantes que diante do caos ainda insistem no curso.

De resto, Bette Davis talvez ficasse orgulhosa de saber: UEMG também não é para maricas. 

sábado, 13 de fevereiro de 2016

A arte de contar histórias em Big Fish (2003) e O voo da guará vermelha (2005)

“Entrou por uma porta e saiu por outra, quem quiser que conte outra” é um clássico bordão dos contadores de histórias com variáveis e, provavelmente, mais presente na memória de leitores de Tatiana Belinky e dos telespectadores da TV Cultura.

Este trecho é parte de um fecho comum de história contada que mais convida que desafia outrem a continuar. Como uma roda, uma ciranda, uma corda (?) feita toda dessa matéria. Como trovadores e repentistas. Muitas obras trazem contadores de histórias em seus enredos - numa varredura mental impossível não lembrar de Chicó em O auto da compadecida interpretado pelo Selton Mello- mas quase nunca coincidem de aparecer fortuitamente ao mesmo tempo em duas mídias diferentes.

Conhecido por seus personagens excêntricos e pela parceria com Johnny Depp, Tim Burton surpreendeu com uma história o-mais-próxima-do-"comum"-que-ele-consegue, Big Fish (2003). Claro, o excêntrico ainda aparece aqui, mas trabalhado de forma diversa. As histórias fantásticas de Edward Bloom, mistas de ficção e realidade, são o eixo do filme: ao mesmo tempo em que apresentam o personagem, reforçam a divergência e o distanciamento com seu filho William Bloom, um jornalista cético e apaixonado pela verdade.

Em O voo da guará vermelha (2005) da Maria Valéria Rezende, ganhadora do Jabuti em 2015, vemos o estreitar da relação entre o faz-tudo Rosálio da Conceição e a prostituta Irene através da literatura. Ele, em busca de aprender a ler/escrever e desvendar o mundo das palavras, vai contando sua saga e os personagens que encontrou pelo caminho até chegar ali e ela, à procura de um pouquinho mais de vida, compartilha com ele o que sabe renovando as esperanças quanto ao presente.

Ambos protagonistas, Ed e Rosálio, têm uma relação intrínseca, carnal, com o contar histórias. Ao mesmo tempo que diverte, melhora a realidade (em Big Fish, o médico conta a Will o modo como realmente nasceu – sem o brilho que o pai colocava ao repeti-lo infinitas vezes); ao mesmo tempo que conforta (entre outros casos, a prostituta amiga de Irene é consolada por uma história inventada de Rosálio), dá o pão.

Os co-protagonistas, Will e Irene, no entanto, já são mais distantes. Todos contam histórias, Will é jornalista e conta histórias, é sua profissão; Irene se fantasia em cores todos os dias para vender o corpo e lê para o Rosálio, mas é a realidade que fala mais alto - o que não os impede de, à certa altura, serem arrastados pela onda narrativa do pai de um e do amado-amigo-parceiro de outro.   

Nas duas obras, a realidade se cruza, se confunde, se metamorfoseia em ficção. Em Big Fish, como já foi dito, Edward usava o fantástico para melhorar suas histórias, mas dada a dimensão do mundo faz-se bem em não duvidar que coisas inacreditáveis acontecem todos os dias e que, quem sabe?, este fosse realmente um personagem sortudo. Mesmo em O voo da guará vermelha, mais "pé no chão", mais crua ao mostrar a vida (dura) de Rosálio, temos a ficção 'eufemismando' a realidade seja nas invenções do protagonista, seja na(s) metáfora(s) da autora. 

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

Como dar pernas aos livros

Afrânio Peixoto, 180. Bairro Alto Boa Vista, Frutal, Minas Gerais.
No mesmo quarteirão que tem numa esquina a loja de mil e uma bugigangas, Casa Japão.
De frente à praça da DER.
Parece uma casa normal.
Tão normal que a obra do vizinho parece a sua própria.
Da rua vê-se, à esquerda, numa entrada feito caixinha, um portão branco de grade miúda com um interfone. À direita, o portão de garagem, eletrônico, colorido e gradeado como o outro e nele uma placa com a logo num fundo laranja indicando o que é e a quem pertence: o arquiteto Ionei Dutra.
É seu escritório.
Todo o prédio em tom claro. Branco?
Logo na primeira parede já temos certeza que chegamos ao lugar certo ao lermos num tipo de placa: Banca de troca de livros.
Uma porta de vidro deslizante se abre nos dois sentidos e vemos uma sala com uma mesa à direita, com um rapazote solícito, à frente,  quadro, fotos de familiares do dono, e à esquerda, debaixo das escadas, um móvel apinhado de livros.
A notícia que havia uma (ou um projeto de) banca de troca de livros na cidade me chegou em outubro do ano passado através do Blog do Portari. Em seguida, tratei de contatar o dono da iniciativa e ver do que precisava. Ainda naquela época pretendia estabelecer a banca na garagem e desde então já se oferecia para buscar em casa os livros que quiséssemos doar para ter um montante inicial. No entanto, dado o grande número de livros arrecadados, segundo ele, precisou transferi-los para dentro do escritório.
A ideia foi sempre 1 x 1. Traga 1 livro e leve 1 livro. Não importa o título, a editora e não há nem exigências quanto à conservação (espera-se, imagino, que o visitante tenha bom senso). Ionei estima o acervo algo em torno de 1000 livros. A diversidade é tamanha que pode-se encontrar desde As meninas, da recém-indicada ao Nobel, Lygia Fagundes Telles, até livros de Direito. 
Apesar de ainda não haver uma página para exposição dos livros que constam no acervo, fotos dos exemplares recém-adquiridos podem ser vistas no perfil de Ionei no Facebook.