Há quase 2 anos eu escrevia aqui para o que não queria o jornalismo. Citava casos locais e nacionais, coisa que nem lembro, coisa que nunca vou esquecer. Memória é coisa doida. Vontade também.
Passei a faculdade pensando se dava para a coisa. Isso de fazer jornalismo é tão difícil. Mal remunerado, dependente de tantas coisas e tão difícil quando independente e tudo isso sem perder a importância, a possibilidade de salvar e estragar vidas com a mesma facilidade. As tais fake news que, na minha cabeça, nem sentido fazem: se é uma news, é uma informação, é feito por um jornalista, há um compromisso com a verdade. No fundo, não me sai da cabeça que é só uma nova roupagem ou um upgrade no conceito de boato. Parece ser contraditório usar fake e news assim tão perto, um para caracterizar o outro. Claro, ingenuidade. Ainda no outro post eu citava a inesquecível Escola Base que, independente de ser por erro jornalístico ou proposital (talvez o que diferencie boato de fake news), parecia verdade, mas era fake news. Com a morte da Marielle Franco, a vereadora do Rio, boatos (?) circularam dizendo que era tinha tido a filha com um traficante, aos 16, se tornado vereadora por conta do PCC... Não vi nada disso difundido na grande mídia a não ser para desmentir, mas só o fato disso pautar a mídia, além de me preocupar, me leva a outra questão frequentemente discutida pelos interessados em Comunicação: a possibilidade de que qualquer um possa fazer jornalismo.
Para meu chefe de estágio, é sinal que o jornalismo no interior vai morrer.
Para um estudioso, é sinal que o jornalismo vai ter que se desdobrar e fazer melhor.
Para minha ex-professora de Jornalismo, não lembro.
A visão do estudioso é a mais reconfortante e estimuladora, porém, não muda a realidade, não vende mais jornais, não garante a independência (a Cynara do blog Socialista Morena ainda não consegue viver disso). Ainda mais no interior onde me encontro, onde me formei.
Os formandos de 2017 ou ganharam o mundo, ou estão deixando o modo jornalista off-line. Não há estudioso otimista que nos tire da fossa pós-faculdade, nem mesmo tendo pautas, nem mesmo a decisão frente à morte de uma pessoa com um legado de luta tão bacana quanto o da Marielle (eu posso lutar por direitos humanos com o jornalismo, mas, ah, que desânimo).
Os jornalistas depois da faculdade vão pro saco.
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