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É inevitável falar de política numa época como essa. Pode-se conversar sobre política todos os dias, a todo momento, em qualquer lugar, reclamar sempre, porém numa semana em que unem-se as políticas municipais às nacionais não se quer tratar de outro assunto.
No
último sábado, a emissora de rádio 102 FM promoveu o 1º debate com os
“prefeitáveis” do município. Dos quatro candidatos, apenas 2 apareceram. Número
suficiente para que o circo pegasse fogo e incendiasse o mato seco das
eleições. A ex-prefeita tratou de frisar que o candidato principiante não
morava ou trabalhava nessa cidade, por isso não teria o mesmo entendimento que
ela, e sua juventude – chamou-o de menino. Logicamente, o rapaz de 25 anos não
deixou por menos e tratou de jogar na cara o fato dela ser ficha suja.
Na
internet, enquanto os simpatizantes do rapaz adotavam o “menino”, os
simpatizantes da Ciça trataram de ressuscitar vídeos de anos atrás onde um Caio
jovem se mostra rebelde, mal educado e mimado. O candidato tratou de fazer um
vídeo não pedindo desculpas, mas sim relembrando seus tempos de juventude,
dando um tom saudosista ao que poderia ser uma mancha na sua imagem.
Frutal
em polvorosa, Brasília também. A presidenta Dilma começou a semana, a
segunda-feira toda, se defendendo no Senado. Trouxe uma comitiva honrosa com
Chico Buarque e o ex-presidente Lula e aguentou uma série de perguntas
repetitivas e enfadonhas. Na terça-feira, os pronunciamentos dos senadores se
seguiram e na quarta-feira ocorreu a votação. Votos mudos afastaram Dilma do
cargo definitivamente: estava sagrado o impeachment. A discussão que se seguiu
se dava ao redor de seus direitos políticos. A ideia de que ela não poderia ser
nem merendeira pareceu assustar os senadores que votaram pela permanência
deles, uma fragmentação do processo preocupante. Cogita-se que até Eduardo
Cunha, por exemplo, peça que ocorra a mesma coisa.
As manifestações
que já estavam ocorrendo contra o governo interino aumentaram e com elas as
repressões policiais. Temer tão logo chegou ao poder mandou que o exército
fosse às ruas para as manifestações previstas para esse domingo em São Paulo.
Hoje
ocorreu aqui novo debate com os “prefeitáveis”, agora na rádio 97 FM. Além dos
dois fortes candidatos, um terceiro apareceu: Gilsen. Tal qual vitrola quebrada,
repetiu várias vezes o descaso em que estava a cidade e o legado de seu pai,
Alceu Queiroz, ex-prefeito, elogiado pela adversária como o melhor prefeito que
Frutal já teve. Propostas? Trocar lixo por mantimentos, consertar calçadas,
porque eu não sei falar direito, não tenho estudo, mas meu pai me ensinou,
aprendi com o melhor, estou aqui para trabalhar.
O formato
do debate limitava os atritos: apresentação, perguntas sorteadas, perguntas dos
ouvintes direcionadas, perguntas entre si (30 segundos!) e finalização. Até as
perguntas dos ouvintes, a Ciça dominou. A experiência na prefeitura deu a ela
uma língua calejada de lábia e termos que agradam o ouvinte: repasses,
pagamento em dia, emprego. No entanto, depois das várias indiretas trocadas
durante as outras etapas do debate, ao ser confrontada por seu adversário mais
forte se irritou, perdeu a calma e o tempo. Antes parecia soberana com os
minutos contados sem afobamento, depois... O menino belisca e ela desata a
falar até ser cortada pelo tempo limitado. A primeira pergunta volta à tecla:
ficha suja. Não existe nenhum governante
nesse país que não tenha processo. Se tiver, me diga o nome. Ríspida,
afobada, tendo que esclarecer questões numa velocidade, sendo questionada em
sua candidatura. Candidatos são só eu e o
Gilsen, sua candidatura não foi deferida, candidata. O menino se recuperou
e comandou os últimos minutos de programa usando bem o 3º candidato como
trampolim para se promover e falar de seus projetos, enquanto a adversária
chegou a dar conselhos (?!).
