quinta-feira, 25 de agosto de 2016

Para falar de política

Num muro perto do viaduto Conrado Heitor

Para falar de política é preciso chegar antes e ainda assim se chegará atrasado: a política já está acontecendo há muito, muito tempo. Sem surpresas. Quase tudo já está acontecendo quando nascemos ou acordamos pro mundo. História, por exemplo. Quantos mil anos não estudamos antes de chegarmos aos nossos dias? Erroneamente, claro, entendemos que o que aprendemos já está pronto, é a verdade, é aquilo e só. Aos poucos, vão sendo revelados mais detalhes, mais peças, mais e mais o conhecimento vai sendo engrossado para ser ensinado posteriormente... ou não, se depender do projeto Escola sem partido.

Partido por partido, voltemos à política. Já está acontecendo e é tão enfadonhamente confusa que ignoramos quando criança e continuamos ignorando quando adolescente. Tanta coisa para se preocupar. Política? pff.  A nacional ainda move paixões, partidos grandes, qualquer deslize se torna enorme (afinal, é um país), as discussões são melhores, televisionadas, mais elaboradas. Já a municipal... No entanto, quando acordamos a reação é a mesma: MEU DEUS DO CÉU, QUE QUE ISSO? Aí vemos absurdo, aí vemos abuso, aí vemos tanta coisa torta que preferimos não ver. Ou votar no menos pior. Ou nem votar. Olha, se você não se candidatar, não, prefiro pagar a taxa lá.

Uma das candidatas, a Maria Cecília Marchi Borges, a Ciça, a mesma da pichação acima, se aliou a um antigo adversário para concorrer a essa eleição. Ela foi condenado por fraudar um concurso público em 2005. E está fazendo campanha desde a semana passada. O Facebook está cheio de corações com 22. Não que adiante: ela pediu recurso, mas foi negado. Isso significa que ela não concorrerá às eleições? Não, isso só significa que ela pediu recurso e foi negado. Teoricamente ela não deveria estar fora? Teoricamente, segundo a Lei da Ficha Limpa. Mas, enfim, o que entendemos de política, não é mesmo? Seguiremos vesguíssimos com um olho no municipal e outro no nacional: começaram a julgar hoje o processo de impeachment da Dilma.  

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

Hello, goodbye




Você não precisa ser exatamente um viciado em internet para ter se deparado com o meme Lula preso amanhã - em chacota à manchete do site O Antagonista. Da mesma forma, os boatos que a greve tinha acabado/acabaria amanhã iludiram os alunos exaustos por meio julho a fora. Acabou, já estamos reformulando calendário e na assembleia entre docentes seguinte Opa, não é bem assim.

Demorou. A greve dos alunos só terminou, por unanimidade, no dia 27. A greve dos professores só viria a terminar na semana seguinte, 3 de agosto, por 18 x 11. 2 abstenções. Exaustos e com pinta de heróis, alguns decidiram sair lá da Cochinchina para pôr fim à desordem causada por essa vilã chamada greve que há meses vinha assolando a pacata universidade em Frutal.

Semanas depois de dizerem que tinham feito, em tempo recorde, um novo calendário, desaprenderam. Desde a tomada da decisão para o fim da greve e com prenúncios de 5º horário e aulas aos sábados, não se quebra a cabeça com outra coisa - fortes concorrentes são o Pokémon Go e o resumo do Seminário de Pesquisa e Extensão.

Guardado o período de susto, "queda na real" e abertura das Olimpíadas, as aulas começaram o mais normalmente possível nessa segunda-feira, 8, seguindo o calendário antigo que tinham dito que havia sido suspenso. Dizem muitas coisas. A lanchonete, depois de assaltada, segue fechada, o contrato de 3 professores terminou em julho e outros 4 do curso de Administração pediram as contas. A previsão é que, seguindo o novo calendário, o primeiro semestre seja fechado em setembro e até 23 de dezembro, o ano.

Ainda que oficialmente terminada, a greve persiste em cartazes no hall de entrada (ou foyer) e nos alunos que encabeçaram o movimento. Já nos primeiros horários, os alunos se reuniram no anfiteatro para discutir maneiras de deixar o novo calendário mais aceitável já que alunos moram fora, trabalham, têm família e podem ficar prejudicados ao chegarem muito tarde ou com a 'perda' dos sábados. Chamaram à chincha: deram apoio e querem retorno.

Houve uma reunião ontem à tarde para se discutir a feitura do novo calendário. A responsável pelos horários do curso de Jornalismo saiu exausta e, fora os nomes dos professores cujos horários ainda faltavam serem preenchidos, o máximo que se ouviu foi: não dá para mexer com o governo. Aparentemente, acabaram-se os sábados.     

sábado, 6 de agosto de 2016

Crônica Olímpica


As nossas Olimpíadas
Crônicas são as reclamações, a comparação braba entre a realidade e as construções para gringo ver, o complexo de vira-lata, dizem, Londres fez melhor, Pequim então... Crônicas também são as exclamações, os oba-oba ufanistas, eu amo o Brasil, melhor país, o Brasil inventou as cores e etc... ao assistir uma cerimônia espetacular (e demoraaaada) como a que pudemos acompanhar ontem: a Cerimônia de Abertura do Jogos Olímpicos do Rio 2016. Assim, em letras maiúsculas, um baita título. E crônica é essa minha necessidade de exercitar os dedinhos no teclado, para criar textos, malhar lembranças.

Nasci alguns dias depois do início da Copa do Mundo de 1994. Logicamente, tudo o que sei da conquista do tetra foi me passado pela TV e pelos comentários da família: diferente dessa seleção aí, de meninos e penteados escandalosos, a seleção de 94 era séria, cabelos curtos, baixinhos. Minhas primeiras Olimpíadas então são de 1996 em Atlanta, diz o Google. Com 2 anos, ainda posso ser poupada de cobrança. 2 anos? Quais seriam seus interesses aos 2 anos? Comer e dormir, claro. As memórias mais antigas que tenho datam de quanto eu tinha 4 anos, 1998 portanto, mas nada, nada relacionado à Copa do Mundo. Sei que muita gente preferia esquecer, mas fazer o que, né? Minhas segundas Olimpíadas são de 2000 em Sidney. Aos 6 anos, na virada do século, eu já estava na pré-escola e teoricamente deveria me lembrar de alguma coisa. Deveria. Se a História só passa a ser História depois da invenção da escrita, talvez funcione da mesma forma para mim. 2001 começou minha odisseia pela leitura e, provavelmente, pela escrita. Da Copa do Mundo de 2002, já tenho lembranças mais nítidas. Aos 10 anos, tive minha primeira Olimpíada. Atenas, 2004.
Logo das Olimpíadas de 2004

Provavelmente, nunca irei competir então posso dizer minha primeira Olimpíada sem ter que me retificar no futuro. Minha primeira olimpíada e eu já gostava de colecionar suvenires. Fora da escola, havia uma mulher que vendia todo tipo de coisas para comer: geladinhos, cremosinhos, salgadinhos, balas, chicletes e todo tipo de coisa colorida que faz mal pros dentes, mas que é delicioso. Dentre essas guloseimas, havia um confeito muito colorido com uma figurinha das Olimpíadas de Atenas. Não era bom, a figurinha era de má qualidade, mas comprei assim mesmo para tê-la. Depois de pedras, conchas, uma figurinha. A fascinação por coleções só fez piorar com o tempo.

Sant Seiya é um mangá/animê
dos anos 80.
O maravilhoso de que essa tenha sido minha primeira Olimpíada é que a partir daí nasceu um encanto desmedido pela mitologia grega, Antiguidade, História e etc. Corroborado, claro, pela exibição de Saint Seiya na Band, a saída do primário e o consequente ensino de uma História que saía do massante resumo de como Frutal tinha recebido esse nome. Outra maravilha nisso é que seja justamente quando as Olimpíadas voltaram pro berço. Como houve outras 27 olimpíadas antes que não assisti, na minha mente infantiloide, é como se eu estivesse acompanhando desde o começo. E a 3ª maravilha desse mundo é que me lembro exatamente de quando o maratonista Vanderlei Cordeiro de Lima foi atrapalhado pelo homem vestido de irlandês, o gosto da frustração, o espanto pelo inusitado e ontem poder vê-lo acender a pira olímpica. Ver um acontecimento infeliz e poder testemunhar a justiça reparada é inacreditável. A satisfação é fantástica. Advogados e juízes se sentem assim? Sortudos, vocês.      

Vanderlei Cordeiro de Lima
Foto: AFP / Emmanuel Dunand
Esta então é minha quarta Olimpíada. Houve muitos problemas no decorrer da construção dessas Olimpíadas. Muitos. Demais. Virge' Maria, nem se fale. O Estado do Rio de Janeiro chegou a anunciar estado de calamidadeÉ esse o país que vai/quer sediar os Jogos Olímpicos? As inúmeras reportagens mostrando o estado da Baía da Guanabara, os comentários sobre a bagunça no trânsito causada para as Olimpíadas, o medo dos atletas pelo zika, a situação precária dos apartamentos de algumas delegações, as besteiras ditas pelo prefeito Eduardo Paes, tudo se juntou num pessimismo atroz contra meu fósforo de gostinho pelo evento. Porque eu adoro o evento. Muito. Dos arcos coloridos a ter nascido na Grécia. Do espetáculo a diversidade infinita de esportes que faz gosto acompanhar. É triste que um evento tão bom tenha um pano de fundo tão ruim. Volto pra cima do muro. Acompanho deslumbrada a cerimônia de abertura, aplaudo tudo, ensaio choros e gritinhos maravilhados, mas lembro que o empenho que fizeram para incentivar o reflorestamento, o alerta sobre o aquecimento global, aquela mensagem maravilhosa de Drummond narrado pela Fernanda Montenegro/Judi Dench, não é praticado sequer para limpar as próprias águas. Tudo maravilhoso, com inclusão, mas a realidade não é assim. É pão e circo, a gente sabe. Tão bom pão e circo.