sexta-feira, 22 de julho de 2016

CSA: Comunidade que sustenta a agricultura (orgânica)

Banner da palestra divulgado em redes sociais

Na quarta-feira, 13, uma palestra marcada para as 19h30 no anfiteatro da UEMG apresentou a CSA à comunidade frutalense. Uma reunião já havia ocorrido em abril, mas nesse interim um CSA foi criado, passou a funcionar e já atende 40 famílias. A inauguração do CSA Frutal aconteceu no dia 9.


Logo do projeto CSA
Wagner Santos, o palestrante, é um representante da CSA Brasil e tratou de esclarecer do que se trata, como se meteu nisso e os benefícios e dificuldades que não faltam. 

A CSA é pensada como uma forma de beneficiar os produtores que não são favorecidos pelo mercado, financiando o cultivo da terra e garantindo uma mesa rica de frutas, verduras e legumes para os consumidores, os co-produtores, amigos do projeto. 


Com o pagamento adiantado, firma-se o compromisso de mensalmente ser fornecida uma cota de produtos orgânicos para cada membro tudo devidamente discutido em reunião por cada CSA. 



Entre as propostas da CSA estão:

- A ajuda mútua: o produtor fornece um produto de qualidade ao consumidor que pode acompanhar como é o cultivo.

- Diversificação da produção: sem o mercado pautando o que deve-se ou não produzir, o produtor fica à vontade para diversificar conforme a estação e seu solo.

- Aceitação de produtos da época: é época de tamarindo? Fornece-se tamarindo.

- Preços justos: discute-se o valor que fica melhor para os dois lados. O consumidor tendo contato com as dificuldades do trabalhador entenderá o porquê daquele valor.

- Relações de amizade: estabelece-se uma camaradagem entre as partes devido ao convívio.

- Distribuição independente: cada consumidor terá sua cota que será recebida conforme o acordado.

- Gestão democrática: tudo pautado em conversa.

- Aprendizagem mútua: como o projeto é novo, o aprendizado é constante.

- Produção e consumo local: nada de importar alimento de fora se há o que comer em casa.


- Estabilidade: com a mensalidade garantida, o produtor pode continuar produzindo tendo uma estabilidade.

A família da produtora Sirlene Soares abastece a CSA frutalense e é a única da cidade a ter certificado de produtor orgânico. Ela conta que iniciou na agricultura orgânica no final de 2012 e como não houve uma transição, subitamente decidiram que não iriam mais usar agrotóxicos, sofreram um bocado.

Faziam a feira três vezes por semana e ainda forneciam a um mercado da cidade, mas a concorrência com outros produtos que não tinham a mesma preocupação era desigual e vendia pouco. A certificação só veio em 2015. Segundo Tuninha, como ela é popularmente conhecida, em mais de 853 munícipios do estado de MG, eles eram o 12º a ser certificado pelo IMA. 

No entanto, mesmo com certificação, mesmo podendo alardear que seu produto era limpo de agrotóxicos, não houve melhoria nas vendas e decidiram parar. Tudo mudou quando foram apresentados ao projeto em abril. Ainda com dúvida se Frutal tinha público para isso, se apaixonaram pelo projeto e resolveram tentar. O mesmo Wagner deu uma palestra no sítio dela, algumas famílias se interessaram e já em junho faziam retirada da cesta.

Sirlene diz que ainda estão no vermelho e precisam de 65 famílias para ficarem bem, mas está confiante no sucesso dessa empreitada. A família tem acompanhamento da Emater desde que optaram pela agricultura orgânica. 

Se quiser saber mais do projeto acesse o site http://www.csabrasil.org/csa/ e encontre um produtor perto de você.