Não sou Albert Einstein e você já sabe
disso, seja pelo link que o trouxe aqui, seja por ter parado aleatoriamente
nesse bloguinho. Não tenho bigode, não tenho tantos cabelos brancos e nem
aquele penteado me favorece e, teimosamente, resolvi adotar o título de uma
obra sua para mostrar a minha visão de algo que nadinha tem a ver com o cara, mas
ainda assim é um grande evento, algo histórico mesmo: a eleição para diretor na unidade UEMG- Frutal.
Disseram que eu poderia citar nomes, que não havia problema, que tudo bem pitacar sobre isso, mas não achei necessário. É só a impressão que tive e ela pareceu clara em sua confusão assim. Faltaram detalhes, faltaram picuinhas, faltaram n informações no texto, vejo agora, o que, ironicamente, condiz com a história.
Meses depois da primeira assembleia
geral em que se discutia, dentre outras coisas, a necessidade de um processo
democrático, na última segunda-feira (27), tivemos o resultado: eram pouco mais
de 22h30 quando meu irmão chegou ao estacionamento com a notícia de que a chapa
1 tinha vencido.
Desde sua fundação em 2004, a
universidade estava sendo dirigida por um único homem amparado por
forças políticas regionais. Seja por comodismo ou por achá-lo digno de mérito
(acredite, há quem ache que o mandato devesse ser vitalício), mesmo sendo
inconstitucional, ninguém discutia sua condição e somente há poucos anos chegou
até mim, ainda estudante do ensino médio, certa movimentação
estudantil nesse sentido. Com a mudança
de governo estadual nas eleições de 2014 (PSDB → PT), esperavam-se mudanças
também na UEMG. E elas vieram.
Além de demorado, não foi nem tão
fácil, nem tão simples o processo que culminou nessa vitória. Na verdade, talvez tenha sido ainda pior para quem, como
eu, era só o Álvaro da história aonde chegavam inúmeras incertezas, boatos,
fatos picados e mal servidos.
E como seria diferente, se logo de
início, a notícia do afastamento do diretor já continha duas versões? A versão
oficial, ou a que saiu num dos principais jornais da cidade, é que ele teria
pedido afastamento por motivo de saúde. No entanto, dois políticos (parte das
forças políticas regionais que falei) postaram em suas respectivas redes
sociais lamentos por sua saída e acusações ao atual governo, insinuando que
essa decisão seria resultado de pressões. Nada ficou esclarecido e nem se
procurou esclarecer.
Logo em seguida surgiu o boato de que
não haveria eleições, que passariam o bastão para seu assecla mais fiel, que a
ditadura perduraria e. Ligaram o alarme de golpe, declararam um inimigo da
democracia e o mantiveram na mira por todo o tempo. Quem declarou? Boa
pergunta. Ouvi ecos vindos da classe estudantil, meus iguais. Os ataques, as
críticas, as respostas, os esclarecimentos, os boatos, tudo chegou deles por
muito tempo.
Não houve pronunciamentos oficiais da
vítima-mor. Por muito tempo houve apenas posts alheios tomando as dores, mas
o posicionamento que se esperava, tão necessário, que desfizesse os possíveis
enganos, que o elencasse ao lado dos jovens, pelos jovens, não veio.
Impossível não ter tomado conhecimento do que se passava, impossível ter ficado
quieto quando todo o tumulto acontecia!
Calou e pagou com a derrota o
silêncio. Quando ficou decidida a eleição através de chapas, quando lançou a
candidatura oficialmente e tratou de falar, tratou de expôr suas ideias e
propostas para seu mandato, tudo surgia pouco crível, falso, fraco, enganoso.
Como figura conhecida, teve toda história revirada na procura por motivos que o
pichassem. Acharam, claro, como não? Como não achar quando se quer achar? Tinha
sua figura sempre associada ao velho e nada do que fizesse poderia mudar isso.
Vários colegas seus, muitos desligados
da universidade, fizeram textões de apoio, expondo os motivos que os levaram a
apoiar e o porquê dele ser a melhor opção. Quem não se atreveu a tanto, mas por
comentários deixou claro do lado de quem estava foi achincalhado, criticado e
acusado com direito a dedo na cara.
Teorias conspiratórias surgiram aos
montes, aliás. De ambas as partes. De quem o criticava e de quem o defendia.
Nunca
antes na história
dessa recém-nascida universidade houve tantas ameaças de golpe.
Não ouvi do outro candidato nenhum
pio. Nem antes, quando parecia ser só o outro, a esperança diante do maquiavélico inimigo do povo, nem
depois, quando fez uma campanha simples e silenciosa. O que levantava sua
campanha parecia ser os protestos contra o adversário. Foi criticado, surgiram
boatos (ou fatos, havia provas) contra ele, mas a multidão não deu ouvido,
nunca me foi devidamente esclarecido o que houve. Ninguém tinha essa
preocupação.
Uma chance que as crianças perdidas no
fogo cruzado tinham era o debate da véspera, dia 23. Prometiam-se bombas, altas
discussões, interação do público, algo tão amplo que deixasse tudo claro e
permitisse aos eleitores escolherem com sensatez seu voto. Não teve. Quero dizer,
teve, mas não da forma como gostaríamos. Foi tão morno, tão desgostoso, que
parecia estar havendo ali qualquer outra coisa menos um debate.
O "debate" contou com apresentações, alguns
esclarecimentos, apresentações de propostas, perguntas entre eles, poucas
farpas, sorteio de perguntas ambivalentes (tinham que valer para os dois) de
servidores, estudantes e do Diretório Acadêmico e considerações finais, tudo
entremeado por urros, deboche escancarado e gritos da plateia. Motivo de
estarrecimento pelas mãos atadas na chance de fazer perguntas e de vergonha alheia por
parte dos coleguinhas. A impressão que tenho agora é que a maioria já foi para
o debate de cabeça feita, armados para apoiar seu candidato e contestar o
outro. Foi tempo perdido.
A democracia ganhou, claro. Ninguém
duvida. Fazer valer o que é da lei é incrível, digno de orgulho por ter visto,
por ter participado. Porém não teve gosto bom. Os silêncios incomodaram tanto
quanto os gritos. Não entendo de política, mas parecia haver um desajuste ali.
Talvez pela imposição das chapas (professores designados não poderiam se
candidatar), talvez pelas dúvidas em suspenso que ficam aí chutando cabeças no
ar. Fato é que temos um diretor para ocupar o cargo durante esse ano de
transição. No final de 2015, provavelmente, se Deus abençoar o concurso e os
servidores efetivos, ocorrerá uma nova eleição para um mandato como manda o
Regimento: 4 anos sem mais delongas.