Queria escrever em letras grandes o mundo. De modo a nunca se perder de vista e nem se querer
isso de forma alguma. Daquelas coisas egoístas mesmo de ser ter dó. Ó, pobre criança. Não dá pé. Não vai ser
assim. O mundo não precisa ser escrito. Não agora, não por mim. Vou insistir,
claro, porque sim, mas já sabendo de antemão que vou desistir. Porque não dá
pé. Porque não vai ser assim. Porque não é assim que a banda toca, nem é nessa
rua que a banda passa.
Nem é esse de verdade o propósito. Mas, não, não, não,
não pergunte para mim. Não sei. Quero escrever. Quero ouvir o tec-tec do
teclado e as letrinhas aparecendo agora na tela colorida à frente. Porque
branco não serve, tem que ser doutra cor. Agora, azul, amanhã, quando abrir o
arquivo – se ele não for apagado, não sei. Nunca sei.
Amanhã tem aula. Disso eu sei. E só desse texto estar
começando a ter gosto de crônica – ó, amanhã tem aula. De novo. Segundo ano. Uhul-,
já me animo. Dá uma comichãozinha na mão: escrever, escrever, escrever até o
volver da linha, até findarem as ideias. Ou vai emendando uma na outra feito
cordinha, vai que dá, vai que preenche a falta que a palavra escrita faz. A falta que ela me faz.
Amanhã tem aula e repito para retomar a ideia de crônica.
Amanhã tem aula. Amanhã tem o segundo ano de Comunicação Social. Amanhã tem
aula e aula de verdade, não aquela Aula Magna fajuta. Amanhã tem prédios novos –
será que tem? Amanhã tem professores novos. Amanhã tem curiosidade... Não, hoje
já tem. E já tem vontade de me incluir em tudo quanto é tipo de projeto bacana
e já tem um medão de tudo quanto é coisa igual que eu queria ver diferente e
tanto coisa diferente que me assusta por ser desconhecida.
Amanhã. Amanhã à noite. Um quase depois de amanhã. Quase,
quase uma outra vida. Uma outra vida que começa amanhã.
Ai, meu Deus!
Provas, trabalhos, reportagens, apresentação de
trabalhos, gente, gente, gente, barulho, barulho, barulho, rotina, trabalhos,
trabalhos, escrita, escrita, escrita compulsiva e/ou forçada. Um trabalho, uma
resenha, um texto para o dia n. Não sai trabalho, não sai resenha. Texto? Nem
sei o que é isso. Assim, de repente, nem sei como formar palavras, compor
frases, criar texto. Assim, de repente. Que assustador é a pressão! E ainda nem
chegou e já pressinto. Que horror, que horror, que horror.
É segundo ano. Vem tudo em dobro. Deve vir. Será que
vem?
Devia ter escrito mais nas férias. É, devia. Devia ter
lido mais teoria nas férias. É, devia. Devia ter treinando mais o inglês nas
férias. Yes, I o que mesmo?
Das dívidas não quitadas, das promessas não cumpridas,
da vontade de escrever o mundo e não fazê-lo, do medão pelas aulas – foda-se se
o corretor acha que não existe medão,
se não existe, o que tenho é o que? Cagaço?- é feito esse texto, minhas tripas
e o resto. Menos o blog, claro, que esse é feito de Nossa, eu tenho um blog, né?.